Compositor: Marlon Chagas Santos
Atrás das paredes de madeira, a cidade se apaga
Ouvimos passos, mas o silêncio é um escudo
O sótão respira segredos e medo
O papel se torna meu único companheiro
O riso é frágil, quebrando-se em sussurros
As refeições são medidas, o tempo rasteja devagar
Lá fora, o mundo se devora em fogo
Aqui, escrevo para que eu não desapareça
Cada página é um fragmento do meu fôlego
Cada palavra, um desafio ao apagamento
Se devo estar escondida, que minha voz permaneça
Rabiscada contra o peso da noite
As palavras dela sobrevivem ao silêncio
Ecos gravados contra a escuridão
A tinta de uma criança se torna eterna
Um testamento que as chamas não puderam consumir
Discussões irrompem nesta jaula estreita
Sonhos colidem com o ar rarefeito do medo
Ainda assim, imaginamos campos intocados pela guerra
Rostos sem marcas de suspeita
O rádio murmura de um mundo além
Mas nossa janela emoldura apenas o vazio
Ainda assim, nas frestas do desespero
Costuro esperança nas veias do papel
As palavras dela sobrevivem ao silêncio
Ecos gravados contra a escuridão
A tinta de uma criança se torna eterna
Um testamento que as chamas não puderam consumir
E quando o sótão virou pó
A voz permaneceu inquebrada
Não nas sombras de seus dias
Mas nos corações daqueles que leem