Compositor: Marlon Chagas Santos
Escrevi mil versos em silêncio
Seu nome gravado em cada página
A cidade seguiu, os anos consumiram
Mas meu coração permaneceu naquele primeiro olhar
Enquanto você caminhava para outra vida
(Eu ergui altares nas sombras)
Vivendo no eco de uma promessa
(Que o próprio tempo não pôde apagar)
Hum
Eu te vi na multidão, intocável
Envolta na segurança da razão
Vivi por febres, por mãos passageiras
Mas nenhuma pôde queimar o seu fantasma
Cada estação, cada década
Usei a devoção como uma ferida
Um voto secreto sob as ruínas
Esperando o momento em que você voltaria
O mundo me chamou de tolo
Preso a uma memória que desvanecia
Mas no silêncio da minha saudade
Eu ouvi a eternidade falando
Através do peso dos anos
Pelas sombras da perda
Carreguei o fogo de nós
Não o desejo de um garoto
Mas a verdade imortal de um homem
O amor sobrevive, mesmo dilacerado, mesmo marcado
Ele se ergue de novo
Inquebrável pelo tempo
Você escolheu o caminho da certeza
Um lar construído na razão
Mas mesmo por trás dos seus olhos
Eu vi a brasa ainda viva
Envelheci na espera
Mas nunca na rendição
Cada ruga na minha pele
Era a escritura da minha fé
Agora os anos nos curvaram
Nossos corpos frágeis, nossas vozes lentas
Mas quando sua mão tocou a minha novamente
As décadas queimaram
Não juventude, não febre
Mas uma chama amadurecida no silêncio
Um amor que desafiou a própria morte
Renascido no rio do tempo
Através do peso dos anos
Pelas sombras da perda
Carreguei o fogo de nós
Não o desejo de um garoto
Mas a verdade imortal de um homem
O amor sobrevive, mesmo dilacerado, mesmo marcado
Ele se ergue de novo
Inquebrável pelo tempo
E quando o mundo o chama de loucura
Eu o chamo de destino cumprido
Pela doença, pelo dilúvio dos anos
Eu ainda te amei
E continuo te amando